Plantas Alimentícias não convencionais:

Atualmente muito se tem falado sobre as Plantas Alimentícias não Convencionais (PANC). Mas o que elas são?

O termo PANC foi cunhado pelo pesquisador Valdely Kinupp. São plantas que, por um desinteresse comercial, apesar da sazonalidade, não são encontradas em mercados e a população não faz o uso corrente. Também são conhecidas como “invasoras”, “matos”, “daninhas”, por ficarem em locais onde as pessoas “acham” que não devem ou não podem estar, mas que apesar disso são espécies com grande importância alimentícia. Também é importante ressaltar que, na realidade, muitas delas eram cultivadas principalmente por populações tradicionais, que preservam o seu conhecimento acerca de seu cultivo e consumo, passando-o de geração em geração.

Quando falamos sobre as espécies que são consideradas não convencionais, não podemos deixar de reforçar todas as que eram encontradas com abundancia em diversas regiões do país ou do mundo, e que já foram, e ainda são perdidas, pela falta de espaços que foram tomados pela monocultura ou pelo concreto das cidades.
Por isso devemos resgatar e garantir o hábito regional e preservar toda a fitobiodiversidade. Precisamos também, incentivar e reavivar o seu consumo, pois além de toda a riqueza nutricional, não podemos esquecer que como são plantas nativas, de fácil cultivo, podem alimentar milhares de pessoas que nem sempre tem o acesso a uma alimentação completa e balanceada.

Exemplificando, a ora-pro-nobis que para muita gente é apenas “mato”, pertence a  família das cactáceas, sendo a única da família que tem folhas.  Seu nome deriva do latim, que significa “rogai por nós”. Segundo tradições populares, o nome teria sido criado por escravos que tentavam colher a planta ao redor das igrejas enquanto os padres rezavam o ora pro nobis. Como possuem espinhos no caule, os padres as utilizavam como cerca viva. Ela chega a  ter 25% de proteína quando desidratada, além disso, contém vitaminas A, B, C, fibras, cálcio e ferro. As folhas secas e moídas são usadas em diferentes receitas, especialmente em sopas, omeletes, tortas e refogados.

Fettuccine enriquecido com ora-pro-nobis
Ingredientes

– 1Kg farinha de trigo
– 2 ovos
– 475mL de água
– 1 colher de sopa de sal
– 20g de ora-pro-nobis desidratado.

Modo de preparo:

1.    Em uma vasilha, misture os ovos, água, sal e ora pro nobis desidratada e, por último, vá juntando a farinha aos poucos até que a massa desgrude da mão.
2.    Passe a massa pelo cilindro, até que ela fique bem lisa e da espessura de sua preferência.
3.    Deixe-a descansar em uma pré-secagem para que não grude antes de cortar no tipo da massa que lhe agrade (fettuccine, spaghetti, fusilli etc.).
4.    Espalhe seu fettuccine em uma mesa, para o término da secagem. Depois de seco, leve-o para uma panela com água fervente e um “fio” de óleo por 10 a 15 minutos, escorra e acrescente o molho de sua preferência.
5.    O macarrão, depois de seco, pode ser armazenado em sacos plásticos bem fechados, por até 20 dias.

Referencias:
– KINUPP, V. F.; LORENZI, H. Plantas Alimentícias Não Convencinais (PANCs) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. Instituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda., São Paulo, 2014, 768 p.
– RIGO. N. come-se.blogspot.com (São Paulo)
-DIZ.O.M- OFICINA DE CULINÁRIA ESPECIAL PARA XI SEMANA DE FITOTERAPIA. CATI-São Paulo, 2013

 

Por: Ariel De Andrade Molina e Mariana Passos Bechelli

CSA Brasil – Relação mútua de produção e consumo de alimentos biodinâmicos

1- Produção orgânica/ Alimentos frescos: garantia de um alimento saudável, limpo, produzido por gente comprometida e profissional; contrate o recebimento semanal de verduras e frutas recém-colhidas, onde você define quantidade e variedade de produtos, garantindo frescor e vitalidade para sua família;
2- Fazer parte: a cada ano você renova seu compromisso como co-responsável pela produção de alimentos da sua família, podendo fazer parte da produção, ajudando a tomar decisões, participando ativamente da troca de informações seja em reuniões presenciais e virtuais.
3- Preço justo: a maior parte do ano, a produção chegará aos associados cotistas a custo menor que os seus equivalentes orgânicos no mercado, alinhando bom investimento da família e apoio ao produtor local, porém com o justo e necessário compartilhamento de riscos.
4- Hábitos alimentares: a oferta de novos produtos e receitas de preparação renovarão o seu cardápio com cores, sabores, formas diferentes do cardápio convencional.
5- Educação na prática: abra as possibilidades de conhecimento da natureza e do alimento para suas crianças, abrindo caminho para o aprendizado na prática – o mundo da Fazenda no dia-a-dia das crianças.
6- Cidadania: seja um agente de mudança contribuindo solidariamente com a agricultura orgânica, permitindo que o produtor rural permaneça em sua área de produção, assegurando áreas verdes próximas da cidade (expansão imobiliária), trazendo uma maior segurança financeira ao produtor, que finalmente pode se dedicar integralmente aquilo que mais sabe fazer: produzir.
7- Da terra ao prato: o produtor sabe para onde vai e quem consome a sua produção, gerando um sentimento de responsabilidade pela saúde dos seus consumidores e fidelidade mútua. O chamado circuito curto de distribuição de alimentos orgânicos assegura a quase eliminação de desperdício, diminuição do emprego de energia desde a colheita até o consumo.
8- Economia associativa: embarque em uma nova economia, baseada em responsabilidade social e ambiental, compartilhamento de riscos, trabalho e planejamento em grupo, saindo da relação convencional de perde-ganha e ingressando na relação do ganha-ganha.
9- Estudo e pesquisa: o sistema de EcoShare permite amplo acesso à participação de estagiários e pesquisadores no sistema produtivo e de comercialização.
10- Celebração: oportunidade de resgate dos eventos cíclicos, participação direta nos ritmos de um sitio orgânico, festividades, colheita, solstícios resgatando o espírito e conhecimentos típicos de comunidades rurais.